Em Sergipe tivemos muitas conquistas desde o ressurgimento do SEESE em 2003, mas a maior delas foi, sem dúvida, o reconhecimento da categoria pelo trabalho realizado. No primeiro ano sofremos para organizar a parte administrativa e legal do sindicato. Não tínhamos CNPJ ativo e tínhamos problemas quanto ao registro sindical. Fizemos nossa instalação em uma sala alugada, usamos todo o dinheiro praticamente na compra de móveis e materiais para um reinício de atividades. Com poucos recursos conseguidos devido aos recolhimentos do Imposto Sindical de anos, que sabiamente foram investidos da forma adequada, conseguimos reerguer nosso sindicato. Em muitos momentos a diretoria teve que dispor de seus recursos para que as atividades não parassem. Contratar um funcionário foi uma ousadia, mas graças a ele conseguimos aumentar nossa arrecadação devido aos descontos das contribuições associativas que cresceram. Chegamos a um aumento tão grande de atividades que passamos a ter dois funcionários, mas a manutenção de ambos era financeiramente inviável. Voltamos a um funcionário. Na primeira gestão (2003-2005) não tínhamos nenhum diretor liberado, o que nos dificultava muito. Na segunda (2005-2007) já conseguimos a liberação da Presidente e ai conseguíamos participar mais ativamente de reuniões, negociações, audiências, enfim... Na terceira gestão foram agregadas novas forças e então tivemos mais dois diretores liberados além da Presidente, dando um “bum” nas atividades do SEESE.

      Tivemos de 2003 a 2008 um crescimento de 800% no número de filiados. Isso é estupendo, mas ainda não o suficiente para que o Sindicato tenha duas coisas fundamentais: uma renda satisfatória para fazermos tudo que idealizamos e termos a participação dos enfermeiros nas discussões.

      Contudo, trilhamos muito bem o destino deste dinheiro: estruturamos materiais para manifestações e greves (faixas, cartazes, outdoors, veiculações na mídia, camisas, etc), participamos de eventos importantes na conjuntura da saúde e dos direitos dos trabalhadores fora e dentro de Sergipe, estamos atuando nos interiores, profissionalizamos nossas ações de diretoria com cursos específicos para o crescimento da instituição, compramos uma sede, compramos computador novo, compramos um site, oferecemos um curso de direito do trabalho no ENCRESE, idealizamos a 1ª Jornada Sindical com a presença de personalidades importantes para a categoria, fornecemos assessoria jurídica aos filiados, mantemos um Contador, serviços de motoboy e uma auxiliar administrativa.

      Conseguimos hoje participar de mesas de negociação, sendo reconhecidamente fortes naquilo que nos dispomos a fazer pelo crescimento da categoria. Temos o respeito e a credibilidade da sociedade.

      Temos vaga cativa no Conselho Municipal de Saúde, na Mesa de Negociação Permanente do Estado, vaga na Federação Nacional dos Enfermeiros e pleiteamos uma vaga no Conselho Estadual de Saúde.

      Conseguimos muitos avanços em negociações salariais e de resolução de problemas de enfermeiros tanto na rede privada quanto na rede pública. Obtivemos uma parceria muito boa com a Universidade Federal de Sergipe e outros sindicatos de Sergipe e de outros estados.

      Fomos importantes colaboradores para que houvesse a mudança na diretoria do COREN-SE, somos parceiros da ABEN-SE e do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde – SINTASA que tem muitos filiados do nível médio da enfermagem.
Politicamente ainda somos deficientes em representação legislativa. Temos uma grande missão que é termos nossos representantes políticos. Temos o desafio de politizarmos a categoria e sensibilizarmos a todos sobre a importância e a força da instituição sindical.

      Um grande problema que observamos em nossa categoria é a deficiência na formação, onde não se valoriza literalmente a mão de obra do enfermeiro, onde a academia cria sonhos irreais nos estudantes, onde não se leva pra dentro de sala de aula os valores necessários para se impor respeito pela categoria e por seu trabalho. Temos ainda muitos resquícios de Florence Nightingale. Somos doutrinados a termos espírito de benevolentes, benfeitores, de anjos de branco e só! A academia se esquece de dizer o quanto valemos como mão de obra.

      Temos a barreira da entrada do tema nos bancos das faculdades e a participação do sindicato só se faz por iniciativa individual de alguns professores.

      A enfermagem é uma classe trabalhadora que reclama muito de suas dificuldades e desvalorização e faz muito pouco para mudar essa realidade. Talvez isso também seja reflexo de uma predominância feminina na profissão e de que estas foram criadas alheias às políticas e movimentos de luta, em uma criação onde as meninas têm que brincar de boneca e de afazeres domésticos e maternais.

      Os alunos que já demonstram um espírito de mudança, de interesse pelo novo, são tolhidos por alguns professores. Temos que evoluir, temos que ter espírito de coletividade.

      O outro grande problema que temos no estado é a falta de Convenção Coletiva com o Sindicato Patronal. O SINDHOSE se recusa a negociar e estamos a anos sem alteração do valor de piso salarial para a rede privada.

      O fato de desenvolvermos uma atividade essencial e da realidade de termos sempre mais de um emprego nos limita nos movimentos e manifestações. É sempre muito difícil mobilizar a categoria, mas esperamos que a semente plantada ramifique e se expanda.

      A idéia moderna de sindicato tem que superar às badernas e movimentos radicais, assim como de benefício individual. Temos que lutar pelo coletivo e isso tem que ser bandeira de todos.

   
         
   
SEESE - Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe
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